Biketech Floripa

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Fonte: Revista Bicicleta por Franklin Passos de Araújo Júnior


Coluna vertebral e as lombalgias

Foto: Tim DeFrisco
A coluna vertebral é o eixo que estabiliza as estruturas osteomusculares dos membros superiores e, principalmente, a poderosa força motriz dos membros inferiores. E a coluna lombar representa, no ciclismo, uma importante ligação anatômica entre o tronco e a bacia. 

A dor lombar é uma queixa clínica presente em mais de 80% das pessoas, e as leva a procurar orientação médica em algum momento de suas vidas.

A coluna lombar, sobretudo no ciclismo de alto rendimento, está sujeita a estresses intensos e acentuadas forças de tensão, compressão e torção. A região lombar e transição lombo-sacra representam uma zona relativamente frágil do corpo humano, pois o ciclista sofre dois tipos de trabalho-estresse: os impactos repetitivos, acentuados pela alta velocidade, irregularidades do solo, e que aumentam particularmente as forças de tensão e compressão exercidas nos discos intervertebrais lombares, em especial nos níveis entre a 4ª e 5ª vértebras lombares (L4-L5) e entre a 5ª vértebra lombar e a 1ª sacral (L5-S1); e, durante o exercício físico, a contração intensa da musculatura paravertebral, que estabiliza a coluna vertebral.

O ciclista, quando a pedalada não é cadenciada, rítmica e uniforme, tem seus músculos da região lombo-sacra exigidos de forma excessiva, causando extresses mecano-posturais nas estruturas ósseas e músculo-ligamentares, assim como nas cartilagens e discos da coluna. É esta, em indivíduos suscetíveis, uma das causas das lombalgias e lombociatalgias (dor lombar que se prolonga para um ou ambos membros inferiores), também conhecida como ciatalgia ou ciática. As lombalgias e ciatalgias, atualmente, são responsáveis por aproximadamente 30% das queixas dolorosas na população mundial.

A doença degenerativa do disco intervertebral está intimamente relacionada com esses sintomas. Trata-se de um processo natural de envelhecimento espinal em que todos os indivíduos estarão sujeitos. Este processo se  inicia por volta dos 15 anos, progride a partir dos 45 até os 70 anos de idade, com rupturas do disco e degeneração das articulações, agravando-se sobretudo após os 60 anos com alterações neurológicas. 

O disco intervertebral é uma estrutura composta por um gel coloidal, constituído por 80% de líquido (água), localizado centralmente no núcleo discal ou também chamado núcleo pulposo, e protegido perifericamente por um anel fibroso. O disco tem propriedades fundamentalmente elásticas. Vale ressaltar que o disco intervertebral tem íntima relação anatômica com os elementos nervosos da coluna vertebral. Entre as enfermidades que o disco pode sofrer, as deformações anatômicas e a desidratação discal são as mais comuns, condições estas que podem coexistir com a hérnia discal, a qual é definida como o deslocamento do conteúdo do núcleo pulposo através do anel fibroso, pela ruptura das fibras deste. As deformações são representadas pelos abaulamentos, pelas protrusões e extrusões discais que se diferenciam entre si pelas características anatômicas da deformação.

A mudança de hábitos da população contribuiu para o incremento dos fatores que favorecem o processo degenerativo dos discos da coluna e determinou que a doença degenerativa do disco representasse uma enfermidade extremamente comum, com sintomas frequentes em indivíduos a partir da terceira década de vida. Estas deformações e a desidratação discal representam uma das etapas de degeneração do disco intervertebral e tem fundamental importância nesse processo, devido ao intenso quadro doloroso que os pacientes experimentam. 

O diagnóstico se baseia na avaliação clínica do paciente, com história detalhada da doença, respaldada pelos exames físico ortopédico e neurológico. Os exames complementares incluem radiografias simples, tomografia computadorizada (para avaliação das estruturas ósseas) e/ou ressonância magnética da coluna vertebral (para detalhamento dos discos intervertebrais e estruturas nervosas). O tratamento consiste na utilização de medicamentos para o controle da dor, do processo inflamatório e das alterações neurológicas: sensações de dormência, formigamento, diminuição da força muscular de um ou dos dois membros inferiores. A fisioterapia convencional, Reeducação Postural Global (R.P.G.), acupuntura e Pilates são tratamentos usualmente indicados para a reabilitação do paciente. O tratamento cirúrgico está indicado no insucesso do controle da dor associado a déficit motor (força muscular diminuída) acentuado.

Na prevenção das lombalgias e outras afecções da coluna vertebral, objetivo primordial em qualquer enfermidade, indicam-se:
. A adequada escolha no tamanho da bicicleta, sendo que a tendência atual é de se utilizar sempre um número menor do que as recomendações relacionadas com a estatura do indivíduo e a altura do cavalo;  
. A realização de bike fit, com o qual se ajusta a bicicleta ao corpo do ciclista; a inclusão, na planilha de treinos, de sessões de musculação: pois músculos fortalecidos conferem maior proteção para ossos e articulações; 
. E, finalmente, a prevenção pode ser realizada por meio de trabalhos de fortalecimento e desenvolvimento da propriocepção (sensibilidade própria aos ossos, músculos, tendões e articulações, que fornece informações sobre a estática, o equilíbrio e o deslocamento do corpo no espaço) do tronco, chamado core training.

Esse trabalho deve ser realizado preferencialmente durante as fases de pré-temporada, ou até durante o ano competitivo. Basicamente, este treinamento visa ao fortalecimento da musculatura abdominal e peitoral, além do alongamento e fortalecimento dos músculos dorso lombares, já que estes, na maior parte das vezes, são mais fracos do que os flexores da região anterior do tronco.      

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