Biketech Floripa

domingo, 10 de março de 2013


O depoimento do biker  Luis Antônio S Peters é muito interessante, detalhado e com várias informações importantes para os ciclistas, principalmente quando fala sobre a Viaciclo.

Desde criança pedalando, já pedalou em vários cidades do país e curte muito uma bike. Pedala sozinho, em grupos e ainda é um cicloativista, preocupado com as condições da estrutura cicloviária de Floripa, procura melhorar as condições para todos os bikers, especialmente os da capital catarinense.

Espero que gostem de mais esta história Show de Bike!

CicloAbraços, Biker


O meu lance com a bicicleta começou na infância mesmo. Aí por volta dos sete anos juntei-me às minhas duas irmãs, um pouco mais velhas do que eu, para infernizar o pai e convencê-lo a comprar uma bicicleta, naquele grande canteiro de obras que era a Brasília da época. 


Monark Feminina 1960
Ganhamos então uma Monark feminina 1960, aro 28, para uso compartilhado. O fato de ser feminina não tinha o menor problema para mim, já que eu não podia ter uma exclusiva. Num tempo em que tudo tinha que ser enquadradinho para os homens e para as mulheres, a possibilidade de pedalar era um atrativo que superava qualquer preconceito. Não me lembro direito se tivemos muitas brigas, mas com a passagem dos meses acabei meio que dominando o uso da bicicleta nas largas ruas de poucos carros da nova cidade em construção. Perdão, maninhas!

Certa ocasião colocaram uns montes de terra numa área próxima da nossa superquadra, que logo viraram uma pista com obstáculos para as competições infantis. O Nelson Piquet era nosso vizinho de quadra e participava sempre, ganhando todas. Acho que não era só porque tinha a melhor bicicleta, com marchas e tals, mas porque já mostrava um pouco da sua capacidade acima da média.

Quando estudei no Colégio Dom Bosco, de padres salesianos, costumávamos nos reunir em pequeno grupo para caminhar umas sete, oito quadras. Pouquíssimas pessoas levavam os filhos para a escola em carro, creio que só fazia isso quem morava mais longe ou então queria se exibir. A oportunidade de caminhar e encontrar colegas pelo caminho era bem adequada para as mais variadas conversas e brincadeiras. Alguns dias combinávamos todos de ir de bicicleta, quando fazíamos umas corridinhas no intervalo em torno da pista de atletismo, convertida num verdadeiro velódromo. Num certo dia combinamos de fazer a volta ao lago. O Lago Paranoá em Brasília é artificial, construído para ajudar um pouco no microclima seco do cerrado, e já tinha uma pista asfaltada que fazia todo o seu contorno, totalizando uns oitenta quilômetros. O movimento de carros era pequeno. Foi uma empreitada enorme para uns garotos e garotas de treze ou quatorze anos, sem nenhuma assistência nas questões técnicas! A minha mãe acabou fazendo um suporte com a Kombi. Foi bom porque tive pneus furados várias vezes (já deviam estar muito gastos ...) e no finalzinho terminei embarcando no “carro de apoio” para completar o trajeto. Agradecido mãezinha! Atualmente há eventos de 100 km que consistem em fazer a Volta ao Lago, reunindo muitos ciclistas. Não cheguei a participar destes, pois já tinha mudado de Brasília quando começaram, mas eles parecem ser muito interessantes e concorridos.

Não tínhamos folga financeira que permitisse a aquisição de uma bici nova, e a manutenção era limitada. Comecei pois a mexer na monark de todo jeito, montava e desmontava partes e peças sempre que necessário. Resolvia de tudo, mas confesso que nunca consegui um bom desempenho no alinhamento das rodas.


Monark Crescent
Comecei a trabalhar com 18 anos, já frequentando universidade, casei aos 22, tive carro, motocicleta, e nessas atribulações da vida deixei de usar tanto a bicicleta. Nunca deixei de ter uma, mesmo não usando tanto. Comprei de um colega de trabalho uma Monark Crescent, do tipo estradeira, usei em alguma medida, mas não me lembro do seu destino. Em Brasília sentimos muito falta de praia, então normalmente as férias são em cidades costeiras, do sul, sudeste ou nordeste. Eram boas ocasiões para tentar andar de bicicleta na praia. 

A retomada de um contato mais íntimo se deu em Curitiba, para onde me transferi em 2005, a fim de ficar mais próximo de Florianópolis, onde já temos casa desde 2001.

Estabeleci um projeto de parar de fumar pela segunda vez, logo sabia que durante uma onda de desejo é preciso ter alguma atividade física, que ajude a passar esse momento. Escolhi a bicicleta, por conjugar várias possibilidades e propriedades. Transporte, exercício, diversão. Os primeiros dias foram exaustivos, apenas cinco quilômetros e o esgotamento aconteceu algumas vezes. Nem dava para ser de uso diário, foi preciso alternar, carro, caminhada, ônibus, bicicleta. Curitiba tem partes planas, mas tem partes com relevo bem acidentado. Já na saída do prédio em que morava precisava encarar uma ladeira apreciável, subia o equivalente a três andares numa distância de três prédios. Um pouco de academia durante todo o tempo auxiliou bastante. Aos pouquinhos fui pegando o jeito, com pedalada nos parques no final de semana, buscando caminhos alternativos. Fui também adquirindo o equipamento de “ciclista”, bermuda, camiseta, capacete. Tinha possibilidade de tomar banho no trabalho, era uma maravilha. Algumas vezes fazia voltas grandes para ir e depois para voltar. 


Foto Roberto Assumpção:
Peters, Silas, Romualdo, Roberto e Sérgio.
Algo que me ajudou a entrar em forma foi a Turma dos Velhinhos, um pessoal de mais idade que pedala no domingo pelos arredores de Curitiba. E como pedala. Uma certa semana o Carlos Renato Fernandes me chamou para descer a Serra da Graciosa, em comemoração aos 80 anos do Pepe. No sábado lá fomos nós pela BR do Contorno Leste e Régis Bitencourt para acessar a rodovia que vai até Morretes, com filmagem da RPC e tudo. Pedalamos com o Pepe o caminho de ida todo, 90 km bem puxados. Creio que muitos amigos “velhinhos” continuam pedalando pela capital paranaense. Romualdo, Cândido, Nelson, Afonso, Nascimento, Kátia, Dóris, todos que não tenho como citar, queridos amigos, um abraço, obrigado a vocês por tudo! (Rá rá rá, soube que o Nascimento agora alcançou a patente de “Capitão” e comanda um dos pedais mais puxados da cidade).

Clique aqui para ler a Parte Final deste ótimo depoimento.

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