Cicles Hoffmann

domingo, 11 de dezembro de 2016

Por :  Karoline Meyer

Foi no inicio deste ano que conheci as provas da Roma Sports, visitando o site oficial www.brasilride.com.br encontrei uma série de eventos, mas uma prova me chamou atenção de cara, a ultramaratona. 


Em nossa turma de pedal alguns amigos já haviam participado das edições anteriores e outros já haviam participado dos “warm ups” em Botucatu, sempre com referências extraordinárias sobre o evento, mas faltava coragem para encarar… ainda mais para quem começou a pedalar há um ano apenas! 


A ultramaratona é uma prova por equipe, além do percurso insano, era preciso ter uma dupla que topasse o desafio. Ainda bem que meu marido aceitou.


Quando confirmamos a inscrição para o Warm Up Botucatu, o coração já começou a bater mais forte, afinal seriam três dias de puro Mountain bike, trechos dificílimos e dos mais variados, enfim, algo surreal para quem participava de prova na categoria sport… estaríamos de cara entrando em três provas PRO, do evento mais top do país.

Começamos fora do ritmo, mas ao final conseguimos completar as três etapas e ainda conquistamos o 4o lugar na categoria Dupla Mista. Uma alegria só! 


Iniciamos os treinamentos específicos em março, no Della Sports, e depois seguimos treino particular.


Foi preciso desconectar um pouco das saídas do grupo de pedal para podermos encarar longos trechos de treinamento, os famosos “chás de selim”.






O segundo momento marcante foi poder participar de outro Warm Up, a primeira edição em Florianópolis, foi de fato abrir as portas para a ultramaratona, acredito que tenha sido uma das provas mais duras de Mountain bike, pois foram 107 km e 4.160 metros de altimetria, com muita chuva, frio e lama. 


Brasil Ride Warm Up Floripa - Prólogo no Costão do Santinho


Brasil Ride Warm Up Floripa - Prova Rainha na região de São Pedro de Alcântara


Pódio na Brasil Ride Warm Up Floripa
Passados poucos meses, rapidamente estávamos na reta final e muitas dúvidas vinham à cabeça… Desde como levar uma bike para viagem até o que levar de equipamentos extras.

Novamente as dicas dos amigos e os apoios foram essenciais. Nesta etapa a Cicle Bike Shop entrou como parceira, a Sol Paragliders com os lindos uniformes em nova versão, o alinhamento da saúde com Dr. Flavio Formigoni e os suplementos da Black Nutri e da Farmácia Emporium, novos óculos Mormaii Athlon e o protetor Suntech grip system garantiu a proteção da pele durante horas e horas abaixo do sol.


Ainda faltava a bike apropriada, treinamos muito tempo com bikes mais simples e era preciso investir para poder sobreviver.


Na Bike Dream decidimos apostar nas lefts da Cannondale, na versão Carbon.



Compramos o pacote Confort do evento, e ao chegarmos em Arraial fomos bem recepcionados, a viagem foi tranquila e o translado também.

Nos arredores da pousada tínhamos tudo, estávamos muito bem localizados, na Pousada Robalo, que era perto da praça com restaurantes e também era próxima do local do evento.


Saímos de Florianópolis no inverno, para encarar uma temperatura alta na Bahia.

Para isto treinamos alguns dias no sol do meio dia, mas sabíamos que nada se compararia ao calor que iriamos enfrentar. 

As temidas etapas: 

16/10 - Domingo: Etapa 1: Prólogo em Arraial d’Ajuda 
17/10 - 2ª feira - Etapa 2: Deslocamento para o acampamento da Vila Brasil Ride
.18/10 - 3ª feira - Etapa 3: Largada e chegada no acampamento
19/10 - 4ª feira - Etapa 4: Largada e chegada no acampamento


20/10 - 5ª feira - Etapa 5: Deslocamento do acampamento da Vila Brasil Ride para Arraial d’Ajuda


21/10 - 6ª feira - Etapa 6: Percurso XCO em Arraial d’Ajuda


22/10 - Sábado - Etapa 7: Última etapa do Brasil Ride em Arraial d’Ajuda 

Mesmo que você planeje tudo, ainda existe aquela incógnita do que poderá acontecer durante a prova, uma queda, um equipamento quebrado, um problema físico, uma dificuldade climática, enfim são tantos fatores que podem interferir que a dúvida fica… será que conseguiremos chegar até o final ? 



Vivemos dias entre tentar subir no ranking e ao mesmo tempo tentar sobreviver para receber a sonhada medalha de “finisher”!

Chegamos um dia antes do início das provas, deu tempo para fazer um reconhecimento do prólogo e já “comprar um terreno” (na linguagem dos bikers significa: levar um tombo).

A  charmosa vila de Arraial D Ajuda jamais será a mesma após a invasão destes seres calçando chinelos e vestindo meias de alta compressão coloridas… Saíamos com nossas super meias XRocks para desfilar todos os dias até a sorveteria e identificávamos os bikers pelo mesma peça do vestuário.


Desde o primeiro dia sentimos que o calor seria mais um dificultador. Decidi inclusive optar pelo manguito cinza claro, parte integrante do nosso kit de uniformes da Sol Paragliders.


No rosto e pernas haja protetor solar Suntech Grip System só ele para aguentar horas de horas de muito pedal, sol e suor! O fiel óculos Mormaii para todas as etapas e ainda nas montanhas o saco de dormir e lanternas da Mormaii foram essenciais. Na mochila muito suplemento programado para cada dia e peças acessórias para a bike.

Quando participo de provas longas tento manter a tranquilidade… nem sempre é possível, é preciso estar com tudo em dia, mas ainda ter sorte, muita sorte! Alguns fatores fogem do seu controle e é preciso encara-los friamente.

Assim conseguimos seguir adiante e superar dois eventos difíceis, o primeiro foi quando  meu dupla rasgou o pneu no segundo dia de prova e andamos 88 km com um pneu enrolado no silvertape (fita adesiva), depois de 3 trocas de câmaras, ainda assim conseguimos cumprir com o tempo de prova, sem sermos desclassificados pelo temido tempo de corte.


Neste dia chegamos no acampamento das montanhas. A estrutura era fantástica, tínhamos tudo! Nossos equipamentos chegaram antes, em sacolas especiais, numeradas. As barracas compunham um visual que eu jamais havia visto,  uma  noite de lua cheia e eu lá em cima, com mais 500 atletas, todos com o mesmo objetivo pedalar, pedalar, pedalar – uma das frases do Brasil Ride resume bem isto, na verdade era: “dormir, comer e pedalar”.




Dentro do barraca ainda havia um presentinho com a frase do Brasil Ride, uma cocada e uma fita da Bahia, que penduramos na bike para proteção divina. 

O toque de recolher era dado as 23:00 e acordávamos animados às 5:00 da manhã com uma trilha sonora especial que tocava já cedinho… A música do DJ francês “Jubel” (Klingande) era a música tema, acompanhada de um café da manhã saboroso.


Fila na largada
Depois da prova, era o momento de dar um banho na bike no “Bike Wash", checar a parte mecânica, se tivesse algum problema, correr para a oficina dos anjos azuis da Shimano, estacionar a bike no “Bike Park” já pronta para o dia seguinte, tomar banho e ir para a reunião do dia, um delicioso jantar em grandes mesas redondas que permitiam uma confraternização ainda maior, ao final a premiação da etapa e os detalhes técnicos para o dia seguinte. Se desse tempo ainda havia um belo lounge e bar com lanches, na mesma área aonde ficavam expostos os resultados.


Meeting
Os dias de prova vão passando e você vai encontrando e reconhecendo companheiros de trilhas, que em algum momento você encontrou em outra subida, ou enquanto carregava a bike e ia conversando, ou os pequenos pelotões que se formavam num ajuste natural de velocidade, conseguimos pegar alguns que tornaram os trajetos mais rápidos, outros que tornaram as travessias mais amenas e divertidas, que nos faziam dar gargalhadas até mesmo no asfalto quente ou  como uma dupla que levava na mochila uma caixinha de som e seguia tocando reggae...
O cenário que já era lindo no litoral, se tornou esplêndido lá nas montanhas, de fato eu adoro o azul do mar, mas também o azul do céu la do alto das montanhas.

Durante os três dias de acampamento, encaramos diversas subidas e passamos por vilas aonde os moradores nos cumprimentavam nas ruas, mas um cenário foi marcante, no quarto dia de prova, quando circundamos a famosa Pedra do Oratório, você sente a energia do local, é especial…


O quarto tão temido dia… Foi o dia mais extremo, com a maior altimetria e descidas íngremes, muitas pedras, mesmo tendo a suspensão da bike destruída no meio do percurso, consegui travá-la e prosseguir assim mesmo, chegando em tempo hábil para pontuar. Foi o meu presente de aniversário!

À noite ainda teve um super bolo de chocolate, carinhosamente oferecido aos aniversariantes pela #familiabrasilride.


Os pontos de hidratação e nutrição sempre bem colocados serviam tudo que era preciso para seguirmos na ultramaratona: água, bebidas isotônicas e carboidratos e uma equipe médica sempre de prontidão.

jantar fornecia aos pilotos um buffet farto, com entretenimento, bem como os destaques de fotos e vídeos da etapa.

No  quinto dia deixamos o acampamento para percorrer a maior quilometragem dos sete dias e retornarmos para o litoral de Arraial D’Ajuda. Prepararam um percurso especial nos últimos quilômetros, para quem conseguisse chegar até lá,  chamado de Avatar.  Um trecho alucinante de puro single track entre subidas e descidas nas quais podíamos curtir um cenário único, com momentos em que podíamos ver o topo das arvores, mas um trecho úmido e de mata fechada, exigindo concentração para completar as últimas quilometragens da etapa. 

O sexto dia foi um XCO divertido no qual conhecíamos uma parte, trecho do prólogo, muitos fizeram a prova para não zerar, outros aproveitaram para pontuar.


Foi o único dia em que as duplas podiam rodar separadamente, neste dia consegui passar algumas concorrentes e ainda ganhei uma premiação especial que a Shimano ofereceu para as 5 melhores atletas do grupo feminino amador, um lindo selim de carbono Turnix ProBike Gear.


Celina, Karol e Ivone
No Brasil Ride você partilha momentos e pedala ao lado de lendas do Mountain bike, todos estão ali pelo mesmo motivo, o que nos une é o amor pelo pedal. Foi assim que pude conhecer as melhores do mundo como Celina, atleta olímpica portuguesa, Ivone Kraft alemã lenda viva do Mountain bike, Isabela Lacerda líder brasileira e a terrível italianinha Annabella Stropparo,  além dos feras no masculino, o brasileiro Hugo Prado e Gilberto de Veiga Gois, o suíço Lukas Kaufmann, italiano Fabian Rabensteiner, o russo Alexey Medvedev, o português Tiago Ferreira. 

Confesso que passei em trechos muito mais veloz do que o de costume só de saber o nome do segmento no Strava, como a descida chamada “ladeira do mijo da onça”… Vai que o bicho resolve aparecer… (risos).

Ah e a minha “cruz”… Quando já achava que nada mais aconteceria, foi a minha vez de rasgar o pneu, no sétimo e último dia, durante uma descida, antes do local do primeiro corte, neste dia perdemos muito mais tempo porque nem mesmo as desesperadas técnicas de amarração no pneu aguentou, o caminho era cheio de troncos e forçava muito mais, acabei sem bike e correndo com sapatilhas, estourei as sapatilhas e então fui pedalando a bike do meu dupla e ele foi empurrando a minha pelos 4 kms finais.


Karol Meyer & Tiago J Silva - Dupla mista Top 10
Brasil Rider finishers
A última chegada, aquela que te transforma no “Finisher Brasil Ride” é emocionante, você recebe a sonhada medalha e a camiseta de “Forever Finisher” das mãos de quem organizou este evento com tanto profissionalismo e carinho, Mario Roma e família.


E é isto ai mesmo, para sempre finalista, a ficha cai, nós conseguimos completar a mais dura ultramaratona de Mountain bike das Américas! Valeu dupla pela paciência, por encararmos juntos todas as dificuldades, assim conseguimos ficar entre as 10 melhores duplas mistas.

Depois de tantos dias pedalando em tantos terrenos variados você melhora muito, ao retornar para casa você percebe que seu nível é outro, você está mais forte, mais veloz e encarando melhor qualquer terreno.

A Brasil Ride é uma prova transformadora, uma experiência incrível, de fato “uma etapa em sua vida”.


Nossos parceiros nesta aventura: Mormaii, Sol Paragliders uniformes e mochilas de hidratação, Cicle Bike Shop, Dr. Flavio Formigoni Medicina Esportiva, Farmácia Emporium, Black Nutri suplementos, XRocks Meias e acessórios, Suntech Protetor Solar.

. FOTOS: Juliano Augusto / Igor Schifris 

Confira os videos oficiais:

. Etapa 1 - Prólogo de 21 km em Arraial d’Ajuda


. Etapa 2 - 128 km - entre Arraial d’Ajuda e Gauratinga

. Etapa 3 - 92 km - Guaratinga

. Etapa 4 - 85 km - Guaratinga

. Etapa 5 - 134 km - Guaratinga / Arraial d’Ajuda

. Etapa 6 - 34 km - Arraial d'Ajuda

Etapa 7 - 75 km - Arraial d'Ajuda


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