Biketech Floripa

domingo, 25 de agosto de 2013



Participar de um Ironman não é fácil. Até fazer a inscrição, que se esgota em minutos, já é motivo de comemoração! :)

Completar a prova então é um ENORME desafio, que muitos tentam e apenas uma pequena parte consegue. São muitos os problemas que surgem, além das limitações físicas, por isso acontecem tantas desistências.

O ótimo relato abaixo foi feito pela "Ironwoman" Andréia que, juntamente com o Ironman Flávio, enfrentaram diversos problemas e tiveram tudo para desistirem, mas foram persistentes e com muita garra, superaram todos os obstáculos que apareceram.

Para mim, um grande exemplo que deve ser seguido e divulgado!

Relato Ironman 2013
por IronWoman Andréia

A noite que antecedeu o ironman foi tensa... nervosa... Ficamos fritando na cama entre um cochilo e outro.  As 03h30min o relógio despertou, agora sim: chegou o grande dia!!! Era só curtir e aproveitar o desafio tão esperado, afinal estávamos indo fazer o que mais gostamos e queríamos.

Fizemos toda a função de preparar equipamentos, bebidas, comidas na bike e sacolas de corrida... Enfim deixamos tudo pronto e fomos para a largada. Chegando à praia fomos nadar um pouco para aquecer e ajustar o óculos, em seguida fomos indo em direção ao portal de largada, a medida que nos aproximávamos do portal o coração acelerava, pelo menos o meu, pois para mim a natação seria o meu maior desafio...entramos na área destinada aos atletas e escolhemos um lugar mais afastado do tumulto, da muvuca , nos abraçamos, ele segurou sua mão no meu rosto deu uma olhada na minha cabeça que parecia um repolho com a touca que ficou grande e mal colocada, deu uma risadinha e não me avisou nada que estava horrível, descobri apenas quando vi na filmagem...risos, recebi um beijo e desejamos boa prova!


Pouco antes da largada
Soou a buzina e entramos juntos no mar, começamos a nadar o Flávio foi à frente e eu fui atrás a cada braçada tocava nos seus pés, quando eu ia me localizar eu o via a minha frente, de repente ele sumiu no meio daquela multidão, e eu segui minha natação tranquila, pois, levei apenas uma braçada no pescoço que me fez tomar um golão de água e um tapa na orelha pra acordar, completando o percurso de 3.800m em 01h24min. 

Enquanto isso o Flávio vivenciava um drama, na primeira braçada o óculos dele encheu de água no olho direito, ele parou algumas vezes para tentar ajustar e não adiantou ele fez a natação caolho, com um olho só. No meio de tantos atletas sempre sobra uns tapas e chutes que acabou quase soltando o chip que levava na perna, teve sorte que percebeu e conseguiu prende-lo a tempo. Ele se aproximou da primeira boia para fazer o retorno, e quando deu uma braçada, bateu num atleta que atravessou em sua frente e acabou tirando o ombro direito do lugar, os outros atletas acabavam passando por cima dele, enquanto tentava desesperadamente colocar o ombro no lugar. Precisou chamar o apoio do caiaque que fez uma barreira impedindo que os atletas passassem por cima dele enquanto tentava colocar o ombro. O fiscal ameaçava chamar o resgate para retira-lo da prova, o Flávio pedia por favor: não, não, não!!! Quando após intermináveis +- 5 minutos conseguiu colocar o ombro no lugar e com muita dor seguiu nadando com uma braçada muito curta, estilo tartaruga ninja. O fiscal o acompanhou algum tempo para conferir se ele poderia ou não continuar na prova. Nessa altura o seu psicológico estava totalmente abalado, não sabia quanto tempo tinha perdido com a função do óculos, do chip, do ombro e ainda faltava 2.800 m para nadar. Quando terminou a primeira perna da natação perguntou o tempo para outro atleta e foi abordado por uma fiscal dizendo que ele era passível de penalização, ainda tonto e sem saber o que estava acontecendo, seguiu para iniciar a segunda perna da natação. Depois ficou sabendo que a pessoa que ele perguntou a hora não estava na competição e acharam que ele o estava acompanhando. Mesmo assim com tantos contratempos, nadando apenas com o lado esquerdo do corpo, completou a natação em 01h26min.

Seguimos para o pedal, eu sai na frente, pois, a minha transição foi mais rápida, e o Flavio veio atrás acelerando para me alcançar, questão de honra pra ele chegar na frente, risos... fazendo um pedal de recuperação, ainda na primeira volta da bike nos encontramos e ele me ultrapassou....adorava quando nos cruzávamos e ele gritava: vai negrinha!!!!



Na bike deu tudo certo, perdi apenas umas capsulas de sal que caíram e uma garrafa de glico, o Flavio viu tristemente sua barra de proteína de chocolate cair no chão. Deu para fazer um bom pedal que ficou mais difícil na segunda volta por causa do vento que entrou... Fiz os 180 Km em 06h10min e o Flávio em 05h58min.



Fizemos a transição da bike para corrida, quando iniciei a maratona o corpo levou mais de um km para perceber que eu não estava mais pedalando e sim correndo..., nesta transição iniciou uma infecção urinária insuportável, meu ritmo era lento, pois a cada passo o impacto me causava uma queimação e uma dor terrível, quando encontrei a Ani (minha irmã), ela percebeu e eu confirmei que estava num mal momento, estava com cistite, mais a frente ela segurou minha mão e me desejou boa sorte, quando abri a mão tinha uma ¨baguinha¨,  era um antiinflamátorio, tomei e segui correndo esperando fazer efeito, enquanto isso somente em Canasvieiras havia uma nuvem carregada e para meu desespero começou a chuviscar molhando ainda mais minha roupa e aumentando a dor, passei também por duas crianças que estavam com um spray refrescando os atletas com água e me molharam as costas... pensei: ­aí meu Deus não vou conseguir terminar... foi um pensamento que veio num momento de desespero, mais no intimo eu sabia que jamais desistiria, nem que tivesse que chegar me arrastando... Mas a partir do km 9, a dor foi aliviando até sumir por completo, então corri atrás do tempo perdido, consegui aumentar meu ritmo e completei e maratona em 04h27min, impulsionada pelo incentivo e alegria dos familiares, amigos e toda aquela galera. Na maratona o Flávio se sentiu em casa correu super bem, também sua cota de sofrimento já tinha se esgotado na natação... completou a maratona em 03h54min.

Missão cumprida, o Flávio completou a prova em 11h40min e eu em 12h19min.



Cruzamos o portal de chegada felizes da vida!!! O Flávio chegou com seu pai , o Jacy,  foi emocionante, eu entrei com a Ana Jú e o Gui que enquanto corria olhava para mim e dizia: Dinda você é uma princesa!  Risos!!!



Foi demais... uma experiência única. Agora somos um casal IRONMAN! 

Ser Ironman é entender que se pode realizar coisas quase impossíveis, é superação. Buscamos o máximo de nossas vidas, queremos viver com plenitude e valorizar as coisas como são, as simples e as complicadas. Afinal, para quem se sacrifica por viver plenamente as coisas simples tem um sabor especial!

Andréia e Flávio 

Se você curtiu este relato, então se emocionará com um Desafio MUITO maior que a Vida colocou no caminho do Ironman Flávio. Se em 2013 ele conseguiu esta façanha descrita acima, após saber o que aconteceu há 7 anos, você compreenderá que foi bem pouco, perto da vitória de vida que ele teve! Clique aqui e veja como foi....


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3 comentários:

  1. Respostas
    1. Parabéns aos dois.

      Ironman é isso mesmo. 10% de resistência e 90% de persistência.

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  2. o Ironman tem sempre muitas histórias a serem contadas, e a de vocês é uma linda história de superação e companheirismo. Parabéns!

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