Biketech Floripa

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Os acidentes abaixo, relatados pelo biker Charles Silva do Grupo Pedala Mais, demonstram que os ciclistas negligenciaram a própria segurança e acabaram sofrendo graves acidentes.

Aproveite para aprender com os erros dos outros, para que não aconteça com vc! 

Grave acidente no Grupo Pedala Mais 
(relato do pedal de ontem e de outros 2 acidentes)

Acidentes de bicicleta acontecem? Sim, acontecem. E podem ser evitados? Sim, podem. Foi o terceiro acidente grave desde o início do grupo. Considero acidentes graves aqueles que o ciclista precisa ser levado de ambulância para o hospital, como o de ontem. Ao contrário do que muita gente pensa, esses acidentes não tem ocorrido porque o Pedala Mais tem andado na casa dos 30 km/h de média. Analisando os três acidentes, chegamos à conclusão de que foram "vacilos" individuais, não tendo, portanto, nada a ver com a filosofia do grupo, que é a de promover a evolução do ciclista, a fim de andar forte e bonito.

O primeiro acidente grave aconteceu há um ano e meio atrás, quando uma ciclista saiu de um posto de gasolina do Lago Sul, e ao pegar velocidade numa descida foi atender uma chamada no celular com a mão direita, restando apenas a mão esquerda no guidão. De repente, ela precisou frear. Como a mão esquerda é responsável pelo freio dianteiro, o resultado foi um capotão, pois a bicicleta levantou o pneu traseiro e a condutora caiu feio no asfalto. A ponta do guidão espetou seu abdômen na altura do seio e ela mal podia falar. Pra completar, uma descarga de adrenalina fez a vítima tremer de frio e a coisa ficou feia. A ambulância chegou e os paramédicos a levaram para o hospital. Fim de pedal pra ela.

O segundo acidente ocorreu há cerca de 11 meses atrás. Duas amigas pedalavam lado a lado, alheias aos perigos do mundo. Como uma delas ficou sem água, a outra resolveu socorrer de cima da bicicleta mesmo, oferecendo a mangueirinha da sua mochila hidratante. A proximidade das bicicletas fez com que os guidões enroscassem e as duas foram pro chão. Uma delas bateu com o cotovelo e com a clavícula no asfalto e o jeito foi chamar a ambulância. Fim de pedal pra ela.

Ontem, foi a vez do nosso amigo Carlos Júnior. Havíamos saído do parque num pelotão bacana de 32 cabeças. Subimos a ladeira dos condomínios e reagrupamos no topo. Depois, seguimos até o posto de gasolina da Matinha. Ali, abastecemos as caramanholas, jogamos um pouco de conversa fora, atendemos aos desejos das bexigas e partimos. Ocorre que o Carlos Júnior havia comprado café e quando viu a galera indo embora, decidiu descer a ladeira da Matinha com uma mão no guidão e a outra segurando seu café assassino. Mal a bicicleta começou a pegar velocidade, ele perdeu o controle e caiu de cara no asfalto. Desmaiou! Por sorte, 7 colegas haviam se atrasado um pouco e o encontraram ali, estatelado como um ovo frito. Lá na frente, o pelotão seguia em paz e já havia atravessado a Ponte JK, quando o celular da Sandra tocou. Ela parou para atender (esse é o procedimento padrão!). Foi assim que soubemos do ocorrido. Sugeri ao pelotão que seguisse girando até o parque, pois sei que muita gente tem horário para chegar em casa. No entanto, eu, o Sílvio, o Paulão, a Sandra e seus dois sobrinhos voltamos até o local do acidente, no alto da Matinha.

Quando chegamos lá, os paramédicos já haviam embalsamado o Carlos Júnior, que jazia na maca como uma jaca semiconsciente, sangrando pelo nariz. Voltamos num pelotão de 11 ciclistas e fomos até o Hospital de Base. Assim que chegamos, encontramos os familiares do Júnior e tivemos boas notícias. O paciente estava bem mas não podia ouvir falar em café...

Como podemos concluir, os três acidentes graves poderiam ter sido evitados, porque não se atende celular ladeira abaixo, não se oferece a mangueirinha pra ninguém em cima da bicicleta e muito menos se desce a Matinha com um copo de café na mão! Daqui a pouco neguinho vai querer comer pizza e ler jornal em cima da bicicleta! E outra coisa: bicicleta não é academia de ginástica, onde se ouve música enquanto se pratica exercício. Quando saímos pra girar, estamos no meio do trânsito e enfrentamos vários obstáculos, como buracos, pedestres, ciclistas incautos na contramão, paradas súbitas, etc. Por isso, fones de ouvido não são bem-vindos! É preciso usar os ouvidos para ouvir os alertas dos colegas! O fato de sermos atletas amadores não nos torna menos vulneráveis a acidentes, ao contrário, os riscos são diários e devemos estar permanentemente concentrados no percurso, que mudam todos os dias.

Aproveito para lembrar que todo ciclista deve sempre ter consigo a carteira de identidade, a carteira do plano de saúde, algum dinheiro e itens de segurança como capacete, luvas, lanternas e faróis. E é sempre bom andar com câmara de reserva, bomba e espátulas. E, aqui entre nós, um pouco de juízo não faz mal a ninguém.

Charles.
Categories: ,

2 comentários: