Biketech Floripa

domingo, 25 de julho de 2010

Escrita por Laura Coutinho ( laura.coutinho@diario.com.br)

A reportagem abaixo saiu no caderno Donna DC. Vale à pena ler!

Conheça histórias de quem deixa o carro na garagem até no dia do casamento

Para a padaria, para o trabalho, para o barzinho. Elas se deslocam pela cidade de bike. São meninas urbanas que, trocando quatro por duas rodas, lideram um movimento que une prazer, saúde, sustentabilidade e elegância.
Sensação de liberdade, cabelos ao vento e interação com as belezas da cidade, sem falar na endorfina que é liberada quando nos exercitamos e que eleva o humor e induz ao relaxamento são todos bons motivos para pedalar, elencados pelas próprias ciclousuárias.
A estilista Ana Carol Vivian diz que nota uma melhora clara no humor.
— Para mim, pedalar é um momento de prazer que tenho no meu dia a dia. Quando está chovendo e resolvo ir para o trabalho de ônibus, sempre acabo me arrependendo — conta.
Ana Carol e o marido são donos do projeto Pedarilhos, que, entre outras ações, vende utilitários e vestuário diferenciado para pedalar.
Além de saúde e bem-estar — benefícios que qualquer atividade física promove — a sustentabilidade é um dos mais recentes convites ao uso da bicicleta.
— Dos anos 1970 para cá a bicicleta teve bastante variação de popularidade, com sobe e desce no uso. O movimento mais recente, ligado ao veículo, é o apelo sustentável internacional — destaca o presidente da Organização não-governamental Viaciclo, Milton Carlos Della Giustina, ciclousuário há 40 anos.
Quem ainda pensa que o vestuário para pedalar só tem a ver com roupas justas, como leggings, ou largadonas, como os assexuados abrigos, está por fora. Movimentos internacionais, como o cycle chic já têm repercussão no Brasil, com grupos em São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, que defendem o uso de roupas do cotidiano.


De bicicleta rumo ao altar

Se casal que pedala junto permanece unido, André Vinícius Mulho da Costa, 24 anos, e Ana Carolina Vivian, 23, têm amor eterno garantido. Recém-casados, eles usam a bike para qualquer deslocamento do dia a dia e mais para os passeios e viagens de final de semana.
Tamanha paixão não poderia ficar fora em uma data pra lá de importante: o dia do casamento da dupla.
— Antes mesmo de programar o casamento, já tínhamos o sonho de ir pedalando — conta Ana Carolina.
E foi o que fizeram. Do Itacorubi até a igrejinha na Cachoeira do Bom Jesus, no Norte da Ilha, seguiram acompanhados dos amigos de pedaladas.
— Com retalhos e sobras desenvolvi um vestido reciclado com um dispositivo que acoplei para que ficasse mais curto na hora de pedalar. Quando cheguei na igreja, soltei e ficou longo — relembra a noiva.
Mas a dupla não foi pioneira na ideia. Milton Carlos Della Giustina também foi na sua bike ao lado da noiva em direção à igreja, lá em 1979.
Sair de carro é a última opção
Enquanto para alguns a simples ideia de trocar o carro pela bicicleta traz à mente uma porção de inconvenientes — dias de mau tempo, suor, trânsito inseguro -, para outros é o inverso: abrir mão da bike pelo carro se mostra totalmente sem sentido.
— Acho estranho o fato de, sozinha, conseguir mover uma tonelada — diz a bioquímica Hila Rocha.
Com a vantagem de ter armário e vestiário com chuveiro no trabalho, ela só se locomove de bicicleta.
— Nos dias quentes, posso chegar lá, tomar um banho e trocar a roupa por outra mais adequada — diz ela, que tem no carro estacionado na garagem (que apenas o filho dirige, de vez em quando) um adesivo que lembra as advertências em carteiras de cigarro, enumerando quantos gases o carro emite e os males que isto pode causar ao meio ambiente.
Para o deslocamento, o trânsito lento das grandes cidades é outro ponto extra para a bike. Hila afirma que, dependendo da rua e dos horários, a bicicleta é mais rápida que o carro.
— Faço tudo de bike. Além de trabalhar, vou ao cinema, jantar fora e até pra barzinhos de bicicleta. Em alguns lugares as pessoas acham estranho, parece que sou uma aberração. Mas em outros, sinto muita receptividade.
Ela conta que outro dia foi jantar com a filha em um restaurante japonês que tinha manobrista.
— Ele que "estacionou" e depois buscou a bike para mim. Foi muito engraçado — conta a bioquímica.
Além de não emitir os gases prejudiciais ao meioambiente, que os automóveis jogam na atmosfera, as bikes ainda ocupam menos espaço territorial, um aspecto bem importante em cidades que precisam destinar cada vez mais área para ocupação humana e menos para o cultivo do verde.
O mais recente apelo em nome da bike é a possibilidade de manter a elegância sob duas rodas. Talvez por isso o número de mulheres adeptas do uso da bike esteja aumentando. Nos passeios noturnos organizados pela ONG ViaCiclo — Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis, a maioria dos participantes é do sexo feminino, que têm um perfil diferenciado.
— São mulheres que se preocupam com a saúde e não dispensam o batom, por exemplo — diz Milton.
É o caso da arquiteta Ana Paula Beszczynski, de Blumenau. Ela usa o veículo para todos os deslocamentos.
— Só uso ônibus em dias de chuva. Vou à padaria, ao mercado, ao barzinho e até às reuniões de trabalho.

DONNA DC



Fonte: http://www.clicrbs.com.br/especial/sc/donnadc/19,0,2979820,Mulheres-optam-pela-bicicleta-em-prol-da-saude-e-do-meio-ambiente.html

0 comentários:

Postar um comentário