Biketech Floripa

domingo, 4 de setembro de 2016

Confiram este excelente relato feito pelo Audaxioso Biker Solon Sehn sobre a participação dele no Audax 600 km

O Audax foi criado na França por Henri Desgrange, o mesmo fundador do “Tour de France”. É uma prova de resistência, de regularidade e de união. Os “brevet’s” que acontecem anualmente são preparatórios para a prova mais antiga de longa distância do ciclismo mundial: a Paris-Brest-Paris, com seus 1238 km, que ocorre a cada quatro anos na França, desde de 1891.

A prova não tem caráter competitivo. O objetivo é a união e a superação em equipe. Apesar disso, comecei no Audax 200 km pedalando sozinho. Porém, tive a felicidade de completar a série com uma grande equipe de ciclistas que se conheceram e ficaram amigos ao longo de cada etapa dos “brevet’s”: eu, o Theophilo, o Gustavo e o Claudio Samurai. O Audax 600 teve a baixa do Fábio, que sofreu um acidente na véspera e não pode participar. Em compensação, tivemos a companhia virtual do argentino “txupa ruedas”, que só pedalava no vácuo do pessoal; e, já no final, do mineiro Nino que nos acompanhou de Criciúma até Floripa.
Grupo preparado para a largada
A largada foi às 05hs da manhã. Todos os cerca de 75 participantes seguiram para as subidas de São Pedro de Alcântara. Nessa parte da prova os grupos se separaram em pelotões. Nossa equipe seguiu reunida. Quem foi melhor na subida, esperou os demais. O mais difícil foi o frio. Não estávamos preparados para enfrentar uma temperatura de menos de 2 graus. Mas aguentamos, sabendo que, após o amanhecer, a temperatura seria maior.

Após a descida da Varginha, na região de São Pedro de Alcântara, uma das bicicletas teve problemas na marcha. Tentamos arrumar, mas percebemos que a dificuldade era maior: o quadro estava quebrado. Fomos lentamente até o próximo PC (posto de controle), tristes em pensar que alguém da equipe seria obrigado a abandonar a prova. Felizmente, uma boa alma do Della Bike emprestou uma bicicleta para o nosso amigo. Depois disso, nada mais sério. Apenas pneus furados. Oito no total, sendo cinco da bike do Samurai.



A organização do Audax Floripa foi excelente. Houve escolta dos ciclistas no trecho mais crítico. Encontramos simpatizantes em todo o trajeto. Buzinas de incentivo nos davam força. Na descida do Morro dos Cavalos, onde não há acostamento, um carro que não era da organização nos deu “cobertura”. Um caminhão fechou o outro lado da pista para ajudar. Fizemos o trecho com segurança. Entre Laguna e Criciúma passamos por ciclistas e por carros transportando bicicletas. O asfalto e o acostamento eram bons e limpos. Os caminhões respeitaram. Fiquei impressionado em ver isso no Brasil, ainda mais na BR 101. Logo percebemos que o mais crítico seria pedalar todos os 600 km. Não seria fácil ir de Florianópolis até Torres, no Rio Grande do Sul.

Tivemos sorte. Não choveu. O vento nordeste favorável nos empurrou pela BR 101. Fizemos mais de 40 km/h em vários trechos. A média, incluindo a subida da serra, foi de 27,6 km/h até Torres. O destaque foi o lindo visual de Laguna, em especial da ponte Anita Garibaldi. Também foi lindo o amanhecer em Criciúma, já no retorno para Florianópolis.

Ao todo foram sete paradas oficiais nos PCs. Também fizemos três “pit stops” adicionais para comer e um para dormir, em Araranguá. No hotel reservado pela organização, recebemos as mochilas que deixamos com eles na largada. Foi possível trocar de roupas e tomar banho. Dormimos por três horas, para poder concluir o desafio dentro do tempo permitido. Saímos às 5:00 da manhã, imaginando as dificuldades do retorno. Afinal, o mesmo vento que nos empurrou na ida, agora nos “seguraria” na volta. Apesar disso, não diminuímos o ritmo. No total, mesmo com o vento contrário, fizemos os 600 km com média de 26,2 km/h.


Senti o cansaço em Paulo Lopes, depois do Morro do Agudo. Quando li na placa que se tratava de um “morro”, no singular, imaginei que seria apenas uma subida. Mas, na verdade, eram três morros, extensos e com grande inclinação. Ao ver a sequencia que me esperava, procurei encarar pelo lado positivo, imaginando o quanto seria boa a descida. Funcionou. Fiquei de pé na bicicleta e disparei. A descida realmente foi ótima: longa e em linha reta. O vento no rosto foi revigorante. Descansei e cheguei um pouco antes no último posto de controle, onde esperei meus amigos. O próximo desafio seria o Morro dos Cavalos. Depois dele, a fadiga e o cansaço se foram quando avistamos a Ponte Hercílio Luz.

A vista de Floripa deu energia para todos. Depois de Coqueiros, na parte final da prova, cada um passou a administrar as suas emoções. Eu senti uma energia muito grande e não consegui me segurar. Fui em um ritmo maior, logo um pouco à frente do grupo. Já na Avenida Beira Mar, passando pela ciclovia, muitos nos cumprimentaram. Foi emocionante. Pensei na minha família. Passei em frente à minha casa, mas ainda não podia parar. O “vai lá” e os “parabéns randonnée” recebidos nessa parte do percurso, me fizeram chorar. Faltava muito pouco. Acelerei ainda mais até o final no Della Bike, onde os participantes eram recebidos com palmas. Entreguei meu passaporte e desabei no guidão da minha "Darth Vader".

Não é fácil traduzir essa intensa experiência em poucas palavras. Porém, posso concluir dizendo que, para mim, a sensação de superar meus próprios limites foi incrível. Nesse momento a medalha do Audax 600 e o título de “Super Randonée” ficaram em segundo plano. Não precisava de mais nada. Na verdade, parando para pensar nos amigos, na família e no quanto Deus e a vida são bons comigo, realmente não preciso.

O ciclismo amador, em meio aos meus compromissos profissionais e acadêmicos, me fez descobrir o verdadeiro significado da frase romana “mens sana in corpore sano”. Tudo melhorou em mim depois que voltei a praticar esportes. A vida parece ter ficado mais leve. 

Convido todos meus amigos de Facebook a terem uma vida saudável e praticarem esportes. Para quem resolver passar por uma experiência mais intensa, fica o convite para integrar a nossa equipe e nos acompanhar nas séries do Audax nos anos de 2017, de 2018 e de 2019. O próximo Paris-Brest-Paris em 2019 que nos aguarde, porque, com toda a certeza, estaremos lá. Obrigado ao Audax Floripa e parabéns pela organização.

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Um comentário:

  1. Fantástico, parabéns pela conquista, esse texto mostrou toda a experiencia dessa aventura, tentei esse ano fazer o Audax 200 Floripa, mas caimbras fortes e distensão muscular, oriundas de uma lesão 10 dias antes me tiraram da prova no km 138, mas não desisto ano que vem vou fazer e vou completar o 200, parabens e continue firme no pedal.

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