Biketech Floripa

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Agradeço aos bikers que compareceram a este IMPORTANTE evento! 

Mais uma Ghost Bike que agora faz parte do meu trajeto casa x trabalho :(


Torço para q seja a última!

MÍDIA
. ND Online - Bicicleta fantasma é instalada na SC-401 em homenagem a ciclista morta em janeiro
. G1 Globo.com - Familiares e ciclistas penduram mais uma bicicleta-fantasma na SC-401
. Diario Catarinense - Ciclistas instalam bicicleta fantasma em homenagem a jovem morta na SC-401 no fim de janeiro

FOTOS
Seguem alguns links de álbuns de fotos do Facebook
. [André Luiz Silva] - Moni...
. [Alciomar Ribeiro Pinto] - Fotos do Evento
. [Pedal Seguro Floripa] - Fotos do Evento
. [Audalio Júnior] Ghost Bike em homenagem a Simoni Bridi

VÍDEOS
Andre Luiz Silva - In Memoriam, Simoni Bridi - 05/05/1987 - 24/01/2016.




RELATO
Lindo e emocionante depoimento escrito pela biker Patricia Barcellos. Diz muito do q eu gostaria de dizer. 

Hoje saí pra fazer ‘aquele’ longo solo. Treinar, pensar na vida. No dia anterior, um pouco mais de carbo, além do normal da dieta imposta, para pedalar por muitas horas. Meu plano: norte da Ilha/São Pedro de Alcântara, Santo Amaro/norte da ilha. Faria 150 km. Voltaria leve. Só que não....

Já havia pedalado quase 20 km. Estava aquecida, e começava a focar a mente para os pensamentos que me atordoavam na noite anterior, e para as coisas boas que a vida tem me proporcionado. Tentava lembrar a letra da música da Violeta Parra, “Gracias a La Vida”, que é meu mantra, e seria o mote pro pedal. Para voltar refeita, e começar mais um dia de trabalho.

Quase terminando a subida do Floripa Shopping, em direção ao centro, observei um batedor da policia rodoviária parado do outro lado. Pensei: “Nossa! Deve ter alguém importante sendo escoltado, por ai”. E quando chego ao topo, para descer, avisto a procissão. Ciclistas ocupando uma das pistas, subindo em direção ao norte da ilha, acompanhando cortejo da ghost bike em homenagem à Simoni Bridi.

Fui sendo levada pela descida; silêncio interno. Pensei na mãe dela. Fiquei olhando os ciclistas silenciosos. Aquela bike branca na frente de todos. Lembrei que tinha esquecido que haveria este tributo. Fiz a volta no próximo retorno para acompanhar os poucos ciclistas nesta homenagem/protesto.

Enquanto me ambientava à nova condição do meu pedal (Longo abortado; Autoterapia adiada) ia observando, e pensando, o que logo mais pude compartilhar com o Daniel De A. Costa: Onde estão os 700 e tantos ciclistas? Onde estão todos? Onde estão os representantes das assessorias, das lojas, os engajados nos protestos, nas homenagens? Foram treinar, estão com suas famílias num domingo de praia, preparando o churrasco com os amigos, ou simplesmente ignoraram. Ali seguia sim, uma pessoa importante. Um ser humano seguia no coração e na lembrança de uma mãe, de filhos que ficaram órfãos.

Seguia a ghost bike de um ser que estava voltando pra casa, depois de um dia de trabalho, e foi assassinada. E o assassino segue impune. Tão importante quanto eu e você. Tão importante quanto minhas filhas, seus filhos, irmãos, primos, tios, e um atleta, funcionário de uma grande empresa de telecomunicações, ou um super ciclista de longa distância reconhecido no mundo todo.

Seguiam alguns importantes: Os ciclistas que ali estavam. Todos, sujeitos ao descaso. Se solidarizando com a família da vitima. Pedindo socorro. Exigindo segurança, respeito.
Enquanto íamos passando pelas outras ghost bike instaladas, o Daniel citava os nomes e idades daqueles que ali estão representados. Triste. Quantos nomes mais ecoarão nas nossas mentes, enquanto passarmos por ali?

Encontrei a todos justamente num trecho do percurso que é um dos mais perigosos da SC 401. Subida sem acostamento, cheia de defeitos e cimento caído pela pista, asfalto ondulado e buracos, com uma vala ao lado. Perigoso pra ciclista, para pedestre e para motorista (recentemente um grupo de motociclistas derrapou ali, e um deles, que é conhecido meu, não teve como escapar da vala)

A gente observa muita coisa enquanto pedala. Não só o descaso do Deinfra. Nem a falta de fiscalização, sem o cumprimento efetivo da lei seca. É também o desrespeito de Um em relação ao Outro. A pressa. A bebida, a festa, o sono. O celular na mão, querendo compartilhar noticia o tempo todo. Preferindo não estar presente. Conectado, porém desligado do presente.

Lamento pelas vitimas. Lamento pela família e amigos. Lamento por nós, pedestres, ciclistas, motoristas conscientes.

Sinto tristeza por encontrar alguns ciclistas que conheço, somente nestes “eventos”, recentemente.

Eu retornaria de um pedal de 150 km, refeita, leve, feliz. Cheguei no trabalho dolorida, pesada, amargurada.

Tentava lembrar a letra da música, para agradecer por voltar para minhas filhas, toda vez que saio para pedalar, contente. Para agradecer a nova família que está entrando na minha vida, com a qual tenho podido compartilhar meus melhores dias do momento presente. Mas agora, só tenho os últimos refrões:

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me dio el corazón que agita su marco
Cuando miro el fruto del cerebro humano
Cuando miro el bueno tan lejos del malo
Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado la risa y me ha dado el llanto
Así yo distingo dicha de quebranto
Los dos materiales que forman mi canto
Y el canto de ustedes que es el mismo canto
Y el canto de todos que es mi propio canto


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