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sexta-feira, 29 de maio de 2015

Setor nacional de bicicletas sofre com a escassez de mecânicos e falta de profissionalização no segmento

Fonte: Revista Bicicleta por Álvaro Perazzoli


No mês de outubro de 2011, a Aliança Bikes (associação resultante da união de empresas brasileiras de bicicleta) anunciou a formatura de sua primeira turma de mecânicos. 

Os 13 novos profissionais receberam um diploma emitido pelo SENAI, instituição que realizou o curso com duração de seis meses, em parceria com a entidade. De acordo com a Aliança, esse é um passo importante na profissionalização do mercado. 

A implantação do projeto é de extrema importância devido à atual realidade do segmento de bicicletas. Os setores especializados e populares carecem de mão-de-obra e de que grande parte dos profissionais atuantes passe por uma reciclagem e tenham constantemente atualizações sobre as novas tecnologias e componentes.

A tendência é melhorar com esse curso técnico. Atualmente nós temos mecânicos de bicicletarias e mecânicos de bike shops. Estes últimos são completamente diferentes por terem um conhecimento maior”, diz Milton Aparecido de Freitas, profissional que atuou em diversas empresas do segmento e atualmente trabalha em uma importadora de bicicletas.

Atualmente, a grande maioria dos mecânicos entra nas lojas com o “notório saber” ou como aprendizes e se profissionalizam com a experiência das inúmeras tentativas e erros, que muitas vezes são feitas em bikes de clientes. Mais ou menos como a transmissão de conhecimento que se iniciou com os artesãos no Século XI.

A revolução industrial já foi feita há mais de 150 anos e ter ainda esse tipo de cultura em lojas é retrógrado e vergonhoso para todo o setor. Mas com a atual realidade do segmento de bicicletas brasileiro, os lojistas são obrigados a ter essa atitude por não encontrar mão de obra especializada.

É verdade que grandes profissionais do mercado começaram sendo aprendizes, mas são algumas exceções, pois nem sempre o “professor” em questão é uma boa referência. 

A história de Alisson Frias, o “Piuí”, é diferente. Ele é atualmente proprietário de uma loja em Santos - SP, e conta que se tornou lojista após uma frustração com uma revisão geral em uma Bike Shop da região. 

O lojista diz que levou a sua bike em um estabelecimento que nem existe mais e depois de pagar a revisão geral ficou decepcionado, pois tudo foi lubrificado, mas o barro que estava no quadro continuou lá.

Saindo dali, fui a todos os comércios especializados da região para adquirir ferramentas e fazer a manutenção em minha própria bicicleta. Posteriormente, fiz na de amigos e acabei montando a minha loja que já tem quase 20 anos”, orgulha-se Alisson.

São tantas emoções

Há algumas semanas, o proprietário de uma loja (que preferimos não identificar) reclamou das suas últimas contratações no setor de mecânica e comentou sobre um caso curioso de um dos funcionários que acabara de demitir. 

O lojista contou que o funcionário faltou uma semana e durante esse período não deu notícias. Ao retornar, informou a todos que tivera a bike, o celular e a sapatilha roubados. Após algumas semanas confessou que a história foi inventada e só resolveu dizer a verdade porque acabara de se converter em uma religião e o líder espiritual orientou-o a nunca mentir.
    
Por mais irônico e bizarro que seja o fato, infelizmente esta e outras histórias que depreciam o setor são comuns e fazem parte do conhecimento de qualquer lojista ou cliente que necessitou de um serviço em uma loja desconhecida.

O consumidor César Augusto Góes, residente em São Paulo, conta que foi enganado em um comércio de bicicletas, próximo de sua residência pelo vendedor e o mecânico. 

Fui na bicicletaria trocar o movimento central, pois o mesmo já apresentava folgas. Paguei R$ 140,00 pela peça de uma marca de qualidade. Após algumas semanas tive os mesmos problemas e levei em um outro lugar. Descobri que o produto colocado era de uma marca bem inferior”, fala César.

Onde estão os mecânicos?

É comum ver lojas de bicicleta procurando desesperadamente um mecânico, que em muitos casos é parte vital do estabelecimento.

Carlos Henrique de Oliveira, o “Kiko”, acredita que há poucos profissionais especializados no ramo devido ao fato de poucos estudarem pensando em atuar com bikes.

O profissional do ramo com formação, geralmente fez outro curso, como marketing, administração, educação física e outros. A grande parte tem o ramo de bicicletas como quebra galho”, cita “Kiko”, mecânico e proprietário de uma bike shop paulista.

A segunda turma de alunos já está tendo aulas. Sem dúvidas que a parceria da Aliança com o Senai é um passo importante, mas para que esse quadro seja revertido é necessário que mais instituições tenham esse tipo de treinamento para abastecer todo o país. Como exemplo as empresas Sram e Shimano, que fazem treinamentos profissionalizantes de seus produtos e tecnologias por todo o país.


Vamos dar continuidade ao termo de cooperação criado entre a entidade e a escola por um longo prazo, para que mais pessoas possam adquirir o conhecimento passado através do curso”, finalizou o coordenador de cursos do SENAI, Valdir de Jesus, na nota publicada pela Aliança Bikes.


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