Biketech Floripa

domingo, 18 de agosto de 2013


Uma pessoa de bem com a vida e que contagia todos ao seu redor! Essa é minha definição para o biker Luiz Pereira Huli-Huli, um camarada Sangue Bom e que está sempre de bem com a vida! Você poderá comprovar o que digo observando as fotos que estão no depoimento dele.

Com mais de 50 anos de história ciclística, o depoimento dele é Show de Bike!

 Espero que curtam, tanto quanto eu.

CicloAbraços, Biker

Primeira prova do Audax.
Fotógrafo: Jonathan Junge
Falar sobre a minha interação com a bicicleta não é uma tarefa fácil. Afinal, são nada  menos que cinquenta anos me movendo sobre uma delas. Várias. Dos primeiros passeios, no bairro, a viagens perambulantes, pelo mundo, não foi uma trajetória muito serena, com alguns ossos quebrados e as escoriações de praxe. Mas, nada grave. Tanto que continuo pedalando, até hoje. Apenas a falta de juízo é que continua perturbando um pouco.

No natal de 1963, quando eu tinha seis anos de alegria, ganhei uma Monark Jubileu de Ouro, aro 22. Uma réplica impecável do tamanho adulto. Freio de pé, paralamas, bagageiro, punho, sinetinha e refletivos. O quadro era vinho e os badulaques amarelo ouro. Foi, sem dúvida, meu primeiro encantamento na Vida. 

Com a Monark, desde muito cedo, acompanhando meu pai, na sua Gallo aro 28, ultrapassei os limites do Município, em percursos para visita a parentes, moradores de São José, quando sempre escolhíamos rotas variadas, que passavam por Capoeiras, Campinas, Roçado, Barreiros, e por aí a fora. Já por volta de doze anos de idade, ganhava a Ilha, em jornadas solitárias exploratórias, que iam até Sambaqui, Campeche, e outras praias, que conhecia pedalando, pelos caminhos nem sempre asfaltados da minha cidade provinciana, à época. 


Biker Pereira sempre de bem com a vida
Anos mais tarde, já como trabalhador e estudante da UFSC, a Caloi 10. Comprei uma, para me dar de presente de aniversário. Na festa, apareceu um camarada, que ainda corria de bicicleta, na Equipe do BESC, e me convidou para ir até Imbituba, pedalando, para assistirmos uma prova, que ele não participaria. Foi a primeira vez na vida, que meu cu pareceu um hibisco, ao fim de uma jornada de 110 KM, usando bermuda de praia e kichute. 

Minha rotina de transporte era o trajeto entre o Estádio Orlando Scarpelli e o Campus Universitário, passando pela recém inaugurada ciclovia da Beira Mar, e pela saudosa e monumentosa ponte Hercílio Luz. Trabalhava no Campus até a uma da madrugada, e me largava, cantarolando, até o Estreitos Unidos. Numa bela noite enluarada, uma matilha de cães, acompanhantes de uma cadelinha desvairada, resolveu me recepcionar no pé do morro do Viaduto, no lado continental. Um cachorro atravessou meu caminho, fazendo me capotar, aterrissando com algumas escoriações, e costelas em péssimo estado de conservação. Tive que arrastar a Bici até a casa, chegando em estado lastimável, para desespero da minha Mãe.

Em 1983, um passeio que eu considero meu primeiro Audax 203 KM. Minha namorada era de São Francisco do Sul, e eu resolvi pedir a mão em noivado, pedalando até lá. 


Viagem ao Paraguai, pra dar início à uma jornada cicloturística. Fotógrafo: Fernando Angeoletto
Saí do Estreito às cinco e meia da manhã, acompanhado do meu cunhado e do saudoso Hans Fisher, que me ‘puxaram’ até Itajaí. Naquela época, minha Caloi já havia sido incrementada, com rodas de alumínio, pneu tubular, equipos de movimento Campanhollo e guidon e canotes de alumínio. Eu ia comprando peças, na medida em que estas apareciam no mercado local, ao mesmo tempo em que aumenta as distâncias dos meus passeios de relaxamento e lazer.

Mas foi lá pelo ano de 2004, que conheci e me enturmei com uma Galera de estudantes da UFSC, a partir de uma expedição realizada por um grupo de sete deles, que foram me visitar, num sítio que possuíamos, lá nos sertões da beiradinha, muito próximo do quase nada. A partir de lá, fizemos uma travessia, por estradas quase intransitáveis, conhecendo cachoeiras, vales e montanhas, de uma beleza contagiante. 


Cicloturismo com a Caminhos do Sertão
Esta experiência de organizar passeios nos levou a fundar uma operadora de Cicloturismo (Caminhos do Sertão), atuando em toda a Região Sul, na condução de grupos de viajantes, ou na elaboração e consolidação de roteiros de cicloturismo, no Estado de Santa Catarina. Mas, para continuar me divertindo, com minha bicicleta, resolvi participar de umas festas de confraternização ciclística, que é o Audax. Agora, de posse e companhia de uma velha Peugeot, adquirida de um vizinho que retornou para a Europa, encarei a primeira prova proposta, aqui em Floripa, e de lá pra cá venho conhecendo muitos lugares e pessoas, fazendo novos amigos e contágios a cada nova brincadeira. 


Pereira e os 3 mosqueteiros locais
De festa em festa, cheguei a participar da confraternização mundial, em Paris, em 2011, juntando-me a outros três mosqueteiros locais, e mais 5.300 do resto do Planeta.

Algumas complicações gastrointestinais me impediram de completar a prova, mas não de perder a festa, na sua totalidade.


E, nas horas de folga, uma viagem ou outra. Dia desses, fomos pra Califórnia, para comemorar os 20 anos do movimento Massa Crítica. Pude experimentar a sensação de viajar com segurança e cidadania, numa viagem de seis dias, a partir de San Francisco.

Movimento Massa Crítica 20 anos - São Francisco
No retorno, uma comemoração gigantesca, com cerca de 8.000 pessoas, que se juntaram, numa sexta feira, no final do expediente, para pedalar pela cidade. Nunca pensei que um dia fosse participar da construção de um engarrafamento tão explosivo e exclusivo, parando a cidade quase por completo. No domingo, para encerrar, uma pedalada festiva, atravessando, novamente, a Cidade. Só que, desta vez, pelado. :)


WNBR - Peladada Floripa - 2012 (Bom humor até em situações complicadas :)
Nas horas de dor, as Ghost Bikes. Pra minha tristeza maior, participei da colocação de mais uma, no dia da minha aposentadoria. Mais uma flor universitária que deixou de nos contagiar com seu perfume e beleza. Infelizmente, a falta de estrutura viária convidativa vai expulsando as pessoas da Rua. Os seres humanos não têm vez nem espaço, para poder ir e vir com dignidade e segurança. Por isso, precisamos estar sempre atentos e articulados, exigindo das autoridades o atendimento de nossas queixas, para podermos nos mover com saúde e alegria.


Momento triste - Instalação de Ghost Bike
Momento triste - Instalação de Ghost Bike
Mas, enquanto as coisas ainda não são totalmente do jeito que gostaríamos que fossem, continuamos a viajar, fazer nossas provas de turismo de longa distância, levar a esposa para passear, na bicicleta tandem, ou mesmo no deslocamento diário, principalmente agora que os compromissos diminuíram de intensidade. Com a eliminação do compromisso com o relógio cronometrológico, passo a poder desfrutar com mais serenidade e suavidade os novos momentos e envolvimentos que a Vida me apresenta. E, daqui pra frente, ainda tenho muito caminho a percorrer e desbravar, apenas para tentar descobrir aonde fica o tal logo ali.

Huli Huli

Luiz Pereira
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8 comentários:

  1. Grande Pereira!

    Huli Huli- agagacuaga sai da toca tapioca

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  2. Muito bom conhecer melhor a história desse jovem ciclista, cativante e alegre, que tive a oportunidade de ver pedalar em um Audax (2010 ou 2012, não lembro ao certo). Muito bom Huli Huli, obrigada por compartilhar conosco tua história. Grande abraço! Bianca

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  3. Grande Pereira!!! Companheiro de pedalada na SC-405!! Grande história!!

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  4. Da-lhe huli huli!!!

    Grande depoimento, muito pedal, muito legal.

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  5. Esse não tem como conhecer e não virar fã! Grande Pereira!

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  6. É uma figuraça! Reencontrei-me com ele ante-ontem (24-08-2013) no Audax 400 Floripa e, desta vez, não perdi a oportunidade de fazer uma fotos com ele. É um humorista nato e super de bem com a vida! Não tem como estar ao lado dele e não dar umas boas gargalhadas. Abração, Huli-Huli!

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